A diversidade da fauna brasileira reflete diretamente a rica biodiversidade do país. Essa riqueza abriga animais únicos que não são encontrados em nenhuma outra parte do mundo.
Guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebu) em seu habitat natural, registrado em Tucuruí, Pará. / Créditos: Por Sidnei Dantas – Flickr, CC BY 2.0
Com o nome científico Alouatta belzebul, o guariba-de-mãos-ruivas é um macaco do Novo Mundo pertencente à família Atelidae.
Encontrado somente no Brasil, o animal possui distribuição geográfica disjunta, com duas populações separadas: uma na Amazônia e outra na Mata Atlântica, no litoral da região Nordeste.
Distribuição geográfica do guariba-de-mãos-ruivas, destacando áreas de ocorrência da espécie. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species
Esses primatas emitem vocalizações intensas, audíveis a quilômetros de distância, usadas para comunicação e defesa territorial. Vivem em grupos liderados por um macho adulto.
Em relação ao estado de conservação, a espécie é classificada como vulnerável.
Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha
Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (*Melanophryniscus admirabilis*), uma espécie de beleza única e altamente ameaçada de extinção. / Créditos: Por (c) Ibere Machado, CC BY 4.0
Espécie de anfíbio da família Bufonidae, o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha se destaca pelas cores vibrantes, com glândulas amarelas e barriga vermelha que sinalizam sua toxicidade.
Sua defesa química vem da produção de alcaloides nas glândulas cutâneas, originados de artrópodes tóxicos. Quando ameaçado, exibe o ventre e membros para alertar.
Ele vive exclusivamente no bioma sul da Mata Atlântica. E não é só isso: sua ocorrência se limita a um pequeno trecho do rio Forqueta, nos municípios de Arvorezinha e Soledade, no Rio Grande do Sul. Por isso, ele corre risco de extinção, com a classificação “em perigo crítico”.
Os pesquisadores monitoram a população, em cerca de 1.000 indivíduos, pelas manchas amarelas únicas, que funcionam como impressões digitais.
Crejoá
Espécime macho do crejoá (*Cotinga maculata*), uma ave de plumagem vibrante e rara. / Créditos: Por Marco Cruz – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0
Os machos dessa espécie de pássaros, impressionam por suas cores. O crejoá se encontra exclusivamente no Brasil, em áreas da Mata Atlântica, desde as florestas costeiras do sul da Bahia até o Rio de Janeiro.
Mapa de distribuição do crejoá, ilustrando os locais onde essa espécie pode ser encontrada. / Créditos: Por Cephas – Adaptado de Deniz Martinez
Os machos exibem um corpo de azul brilhante, com manchas pretas nas costas. A garganta e a barriga são roxas vivas, com uma faixa azul no peito. As fêmeas, por outro lado, têm uma plumagem marrom opaca com algumas manchas brancas.
Tatu-bola-do-nordeste
Tatu-bola-do-nordeste (*Tolypeutes tricinctus*), um símbolo da conservação na Caatinga brasileira./ Créditos: Por ChrisStubbs – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0
O Fuleco, mascote da Copa do Mundo de 2014, se inspirou neste tatu. Ele pertence à espécie do gênero Tolypeutes, que inclui também o mataco. Esses tatus são os únicos que, quando ameaçados, têm o hábito de se enrolar completamente dentro da carapaça, formando uma bola.
Distribuição geográfica do tatu-bola-da-caatinga, ressaltando sua área de ocorrência limitada. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species
O tatu-bola-do-nordeste é endêmico do Brasil, habitando áreas da Caatinga e do Cerrado, biomas encontrados principalmente na região Nordeste do país. A espécie está em ameaça de extinção, com estado de conservação vulnerável.
Sagui-branco
Sagui-branco (*Mico argentatus*), pequeno primata endêmico da região amazônica. / Créditos: Por Postdlf, CC BY-SA 3.0,
Com o nome científico de Mico argentatus, o sagui-branco é endêmico da Amazônia brasileira. Ele vive em áreas entre os rios Tocantins, Tapajós, Cuparí e Curuá.
Sua pelagem é branca e prateada, sem tufos de pelos nas orelhas. Atualmente, seu estado de conservação é considerado pouco preocupante.
Mapa de distribuição do sagui-branco, destacando sua área de habitat natural. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species,
Ouriço-preto (*Chaetomys subspinosus*), espécie singular e vulnerável encontrada no Brasil. / Créditos: (c) Instituto Últimos Refúgios, CC BY-NC.
Espécie de roedor da família dos eretizontídeos, o ouriço-preto se encontra exclusivamente no Brasil. Habita florestas da Mata Atlântica central, abrangendo desde o norte do estado do Rio de Janeiro até o sul de Sergipe.
Distribuição geográfica do ouriço-preto, conforme dados recentes de conservação. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species
Embora esteja ameaçado de extinção, sua classificação atual é de “vulnerável”. Trata-se de um animal noturno e solitário, que passa a maior parte do tempo em árvores.
Seu corpo é composto por pelos rígidos e espinhosos, que atuam como mecanismo de defesa contra predadores.
Soldadinho-do-araripe
Macho do soldadinho-do-araripe (*Antilophia bokermanni*), espécie ameaçada encontrada no Ceará. / Créditos: Por Rick elis.simpson – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0
Espécie em perigo crítico de extinção, o soldadinho-do-araripe é uma ave passeriforme da família Pipridae. O animal se encontra exclusivamente nos municípios de Barbalha, Araripe, Crato e Missão Velha, localizados no Ceará.
Mapa de distribuição geográfica do soldadinho-do-araripe, mostrando sua área de ocorrência restrita. / Créditos: Por High source – Obra do próprio
O soldadinho-do-araripe apresenta diferenças na coloração da plumagem entre machos e fêmeas. Os machos da espécie têm plumagem branca com penas pretas nas asas e dorso, além de uma cabeça vermelha.
Já as fêmeas têm plumagem verde oliva e um penacho verde na cabeça.
Cuxiú-preto
Cuxiú-preto (*Chiropotes satanas*), primata de grande importância ecológica. / Créditos: Por Bearded_saki_(Chiropotes_sp): Ana_Cotta
Endêmico do Brasil, o cuxiú-preto é um macaco do Novo Mundo, pertencente à família Pitheciidae e ao gênero Chiropotes. Essa espécie habita uma região restrita do extremo leste da Amazônia.
Os cuxiús-pretos são frugívoros, com uma dieta composta principalmente por sementes. Com cabelos pretos e grossos e uma barba distinta que molda seu rosto, o cuxiú-preto é facilmente reconhecido por sua cauda espessa.
Distribuição geográfica do cuxiú-preto, indicando áreas de ocorrência da espécie. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species, CC BY-SA 3.0,
Esses primatas são animais sociáveis, vivendo em grupos e interagindo frequentemente com os membros da sua espécie. Foram observados usando as mãos como conchas para beber água, uma adaptação interessante em seu comportamento.
Infelizmente, o cuxiú-preto encontra-se em perigo de extinção.
Mico-leão-dourado
Mico-leão-dourado (*Leontopithecus rosalia*), um ícone da conservação na Mata Atlântica. / Créditos: Por Jeroen Kransen – Flickr, CC BY-SA 2.0
Primata da família Callitrichidae, o mico-leão-dourado ocorre exclusivamente na Mata Atlântica brasileira, no estado do Rio de Janeiro.
Sua pelagem, que varia do dourado ao alaranjado, é caracterizada por uma juba distinta, conferindo-lhe um visual único. Em vez de unhas, o mico-leão-dourado possui garras, adaptadas para a vida nas árvores.
Mapa de distribuição do mico-leão-dourado, destacando os esforços de preservação em seu habitat. / Créditos: Por IUCN Red List of Threatened Species, CC BY-SA 3.0
Esse animal é onívoro, alimentando-se de frutos, invertebrados e pequenos vertebrados. Seu repertório vocal varia, com diferentes vocalizações emitidas em contextos específicos. Atualmente, o mico-leão-dourado é uma espécie em perigo de extinção.
Pica-pau-da-taboca
Pica-pau-da-taboca (*Celeus obrieni*), uma espécie rara e emblemática do Cerrado. / Créditos: Por Joao Quental – Flickr, CC BY 2.0
Exclusivo dos cerrados do Brasil, o Pica-pau-da-taboca é uma das aves mais curiosas da fauna nacional. Porém, infelizmente a ave é atualmente classificada como vulnerável à extinção.
Pertencente ao gênero Celeus, essa espécie chama atenção por suas características marcantes. Sua plumagem apresenta uma combinação única de cores: a cabeça e as rêmiges são castanhas, enquanto as partes inferiores são esbranquiçadas.
Distribuição geográfica do pica-pau-da-taboca, conforme registros recentes da IUCN. / Créditos: Por Cephas, CC BY-SA 4.0
As coberteiras das asas possuem barras de preto e amarelo, e o peito e a cauda são uniformemente pretos. Uma característica distintiva do macho é o malar vermelho e as manchas presentes em sua crista, que conferem um toque vibrante à sua aparência.
Jornalista formado pela Anhembi Morumbi, ama futebol e cinema. Cursou engenharia antes de descobrir sua paixão pelo jornalismo. Atualmente é analista de conteúdo e colaborador no Olhar Digital.
Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.